terça-feira, 8 de outubro de 2013
POR OCASIÃO DO DIA DAS CRIANÇAS 2013
Compartilho parte de minha obra inédita "GONGO", cujo trecho versa sobre a lúdica e saudável infância que alicerçou minha afetividade à natureza.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
"DE POETA E LOUCO, TODO MUNDO TEM UM POUCO, EXCETO EU"
De poeta e louco,
Todo mundo tem um pouco, exceto eu.
Vanda Ferreira
Acredito que o famoso ditado do pensador Philippe
Sotte: “De poeta e louco todo mundo tem
um pouco”, foi adotado em todos os continentes e repetido por todas as
gerações em discursos particulares e públicos.
Indiscutível que todos temos, mesmo, pelo menos uma
dose particular de poeta. Também acredito que todo mundo tem uma especial reserva
de loucura, para uso específico em inusitadas situações.
Bastam experiências profundas, para que o veio
poético aflore e a poesia salte dos olhos, pinte em um texto de carta ou de mensagem,
ou seja soprada numa prosa triste ou alegre.
Basta a expressão de amor sentido, um canto motivado
por paixão, um desapego ou chamego, um exagero qualquer, para extravazar a
mesmice e sangrar a especial porção da reserva que jorra o inédito, o
inesperado, o surpreendente estado de graça rotulado de “loucura”. E, assim, por
meio do advir de um novo ritmo, ou surgimento de um inédito tom ou nuance, expedem
atestados de loucura.
Sim, é verdade! Todo mundo tem um pouco de poeta e
de louco. Exceto eu que muito tenho de poeta e de louco.
Sou desvairada por palavras, por sombras solares e
conjunturas celestiais. Tenho dose exagerada de loucura para experimentar
chuva, escutar silêncio, ouvir cigarras, fugir da mesmice, driblar arapuás, e
caçar ideias em beira rio, em lenha queimando, em nuvens de questionamentos. Sou
doidamente apaixonada por formas, movimentos, folhas secas, vento, bichos,
árvores, cores...
Pulso sagrada desobediência.
Inquietação física que produz lentes especiais para desvendar teias construídas
nas noites de famintos forasteiros maquiavélicos.
Alimento o banco de minhocas com as supervitaminas
do barro, santifico árvores, idolatro pedras e outros elementos. Leio raízes, brechas
de luz, cicatrizes da terra.
Poetar é experiência dos olhos, do coração e da
pele. Poetar é releituralizar vestígios, é abrir feridas, sedar dores, roteirizar
tatuagens, viver a nudez da realidade.
E cuido loucamente da saúde de minha doidura. Asseio
o coração, faxino o cérebro, assopro feridas e organizo o cerne em posição
vertical para alcançar as lonjuras de amanhã.
Sou um perigo malicioso, invisto em sonhos e construo
importâncias com versos e prosas malucas.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Poema "O caminho da paz é campestre"
O caminho da paz é campestre
Vanda Ferreira
Garças brancas revoam silêncio azul.
Enormes dentes jacarezenses tomam vento;
Rimados versos da natureza fervilham na fingidez fluvial;
Árvores entoam úmidas canções,
aves trinam em alegria sustenida
para perpetuar praia-de-bichos,
passeio de murmurinhos,
espetacular balé da mata.
Rastejam poemas,
seivadas serpentes,
- encorpadas enxurradas tingidas de por-de-sol -
Tatuagens na liberdade nua da terra
mapeaiam dançante capinzal de pés de luxo.
Ecos matutos, ecologicamente corretos,
Protegem segredos do seco-mar encharcado de poder.
Roncos de bugios rasgam os perigos noturnos
das aloiradas madrugadas pantaneiras,
esconderijo do útero da terra.
Lambeção milagrosa refaz sucumbida morte,
valente desejo de semente processa desfolhamento
para nutrir embriões fecundados ao som de poéticos uivos Guarás.
Sábia natureza
Redondamente enquadra
inverno, primavera, verão e outono,
inverno, primavera, verão e outono,
Aliança nuvens carregadas de mensagens.
Vida beijada por beija-flores,
perfuma versos,
tinge de verde-esperança,
rima coração e canção,
passarinho e ninho;
alegria, cantoria, folia, formação de família.
Celestialidade poesia, seja noite, seja dia.
Luas hipnóticas, cheias de mistérios,
Corujas, grilos, cigarras,
anfíbios com chocalhos na garganta,
cantata para a entrada, não solitária, da noite,
onde o entardecer rumina roteiro,
Processa comunicação,
esturros dos cílios da mata.
Cisma grafia de onça, pinta Jaguatirica
Caminho matuto, Tatu, Tamanduá,
inescrupulosidade brejeira na estação de Sucuris,
tuiuiús, bagres e olhos d’água.
Lenta mastigação de sabores,
fartura de suculências,
delícias na digestão campestre.
Verdejante felicidade borboleteia
no profundo estômago da menina dos olhos do mato.
domingo, 4 de agosto de 2013
FESTIVAL DE INVERNO DE BONITO
Literatura regional sul-mato-grossense no Festival de Inverno. Vanda Ferreira participou do Festival de inverno 2013, em Bonito/MS, com exposição de suas obras no estande do Forum de Cultura de Mato Grosso do Sul e Varal de poemas e prosa poética na Praça da liberdade.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
OUTONO
OUTONO
Folhas secas correm tipo coelhos,
Folhas secas correm tipo coelhos,
Leves ,
sem pecados,
almas do verde.
Folhas secas soam tipo cachoeira,
cascata que zumbe arco-íris em anéis
de vento,
olhares do pensamento.
Folhas secas correm,
Saltam as abertas bocas de terra;
Fogem dos pés dos homens,
dos bicos dos passarinhos,
das garras-tramas de raízes arvorais.
Folhas secas seguem para o certo mar
de carência,
serão imprensadas pelo abraço da fome
de profunda cova escavada pela força
das águas das chuvas.
Prensadas pela sabedoria
folhas secas renascem seres vivos,
seres flores, seres frutas, seres
verdes.
Vanda Ferreira
quarta-feira, 22 de maio de 2013
O ANTES E O DEPOIS
O antes e o depois
O depois vem após o antes, é claro, é
óbvio, naturalmente que sim. Mas, apesar da clareza, este
entendimento é de suprema reflexão, em especial sob dois aspectos: o “antes” e
o “depois”. Isto não é brincadeira; não é tão
simples quanto parece, aliás, entendo que é de uma complexidade, há tramas
implícitas, uns quês estremecidos nas profundezas de nossas ignorâncias.
O antes é todo o processo construtivo. O período de
investimento, do cultivo, do plantio. Entendo que o antes é o alicerce do
depois. O antes é um período oportuno, é a chance, a chave, o parto. O antes
requer detalhes, investimentos, estratégias. Não basta plantar. É necessário
adubar, regar, macerar, orar, rogar, e, sobretudo, extirpar as ervas daninhas,
os elementos venenosos, para garantir o sucesso e a realização de propostas que
acontecem na fase propícia para o investimento no “depois”. Durante o
antes sonhamos, projetamos, programamos, imaginamos, vislumbramos.
O “depois” é a safra, a colheita, o consumo, o deleite.
Toda a realidade está no depois. Diremos que o depois é desconhecido, incerto,
talvez previsível. No entanto, apesar de esforços, programação, sensatez e
sabedoria, o “depois” poderá surpreender por motivos totalmente alheios à
proposta do antes.
Foquemos o antes nos preparando para o depois, para o
período subsequente que é o depois. Nos prepararmos é envolvente, é
massacrante, é contorcionante, é excitante, e especialmente
preventivo.
É exatamente no período chamado antes que elevamos nossas
antenas, nossa sensibilidade, nossa fé, e enlevamos-nos com a tal esperança.
É no antes que tomamos o combustível, que alimentamos a
despensa, e produzimos a reserva para os potes de beber, porque
o depois poderá sofrer interferências e nos flagrar com surpresas agradáveis ou
indesejáveis.
O segredo é aliançar-se ao antes e ao depois. Somos a
liga, ou o desande. Até que venha o depois que é o antes do próximo depois do
futuro antes.
Assinar:
Postagens (Atom)






