sábado, 20 de abril de 2013

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CORTEJO CARNAVALESCO 2013

Fui participar das delicias da fantastica organização Evoe do Teatro Imaginario Maracangalha, cuja concentração foi na Conveniência Vai ou racha, na rua 14 de julho esquina com a rua Euler de Azevedo, dia 07 de fevereiro, às 17h. Posteriormente trarei um texto melhorado para esta matério. Beijo, gente, feliz carnaval. Alegria, paz, luz e saude.































quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

QUARTO DE HOTEL


Para atender aos convites culturais viajo sempre sozinha e opto por ficar, também, sozinha em quarto de hotel. Esta crônica a escrevi em Goiânia, Goiás, quando lá estive, em novembro de 2012, para a premiação da obra Roteiro da liberdade, com o Premio Interarte, melhor livro de poesia 2012.

Em quarto de hotel há sentimentos aflorados em minha carne, em meu coração, em meu cérebro. Respeito, gratidão e generosidade, estruturam lembranças que rondam pincelando as frias paredes, tingindo-as de importâncias que não couberam na bagagem, mas que foram abrigadas pelo coração para garantir sobrevivência.

Chove e a laje do edifício impede que o frescor rodeie a clausura para abençoar-me com a refrescância das fervilhantes minhocas de meu banco de memórias. Apesar da proposta existencial a janela de blindex impede que os contatos sejam estabelecidos. Apenas vejo, como se não tivesse outros sentidos, olfato, tato, audição, por exemplo. Apenas vejo. Nuvens que disputam brechas num discreto contorcimento por ordem do vento; pássaros que brincam de suas travessuras nas folhagens e galhos de arvores impecavelmente verdes. Apenas vejo. Nada ouço. Sinestesicamente imagino o cheiro, o som, o clima. E penso: devanear é preciso.

Cidade é feita de gente, de obras arquitetônicas e de cachorros. Pessoas com mãos vazias, sacolas, malas, mochilas, aparecem, passam, somem. Desembarcam, embarcam, em automóveis, caminhões, motos, bicicletas. Cachorros são alguns dos animais que integram à cena. Bichos que vadiam soltos talvez perdidos ou abandonados. Penso que eles devem ter muita fome porque vasculham as lixeiras, as caixas depositadas nas calçadas, os pés das árvores dos passarinhos. Os prédios se fazem de pedras esculpidas.

A tarde se faz em chuva mansa, aquela que rega pensamentos, traz saudade, inspira céu e terra. O vidro da janela blinda, desconfigura a realidade, promove a conexão virtual.

Há duas alternativas, abrir ou manter fechada a janela de generoso espaço de vidro transparente que propõe a conexão com o mundo La fora.

E chega a noite trazendo consigo um manto tecido de curiosidades por mim. Observo as lâmpadas de iluminação publica e já não vejo a chuva, nenhum chuvisco. A chuva passou.

Decido abrir a janela. Invisto com o cérebro, puxo a inteligência para estudar sobre a arte de abrir aquela janela. Matuto sobre a partezinha retangular de metal na base central do vidro. Exercito a paciência. Enfim descubro o processo para destravamento vertical de dois pinos, e, finalmente os ferrolhos são destravados. Afasto as duas folhas de blindex. Sensação de encontro com a vida real. Liberdade, liberdade, liberdade. Concluo que liberdade esta no vento. Besouros vivem a liberdade, invadem meu quarto de hotel.

Os pássaros já não cantam, eles emudecem no período noturno para autoproteção. À noite os pássaros repousam seus segredos em auspiciosos dormitórios-esconderijos.  

Minhocas fervilham em mim. Minhocas não dormem, fermentam a fantasia. Tenho substratos para o pensamento ensaiar a imaginação e acelerar a criatividade.

Do livro "MITOLOGIA DE UMA BUGRA"/Vanda Ferreira/ no prelo

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

NOTA DE AGRADECIMENTO


II Café Lítero Pantaneiro, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul.



Com enorme alegria aceitei o honroso convite do Professor Ramão Medina para participar do II Café Lítero Pantaneiro, projeto que tem como objetivo fomentar a valorização da cultura sul-mato-grossense por meio da promoção das artes e educação.
Não medi esforços para realizar a curta viagem que consolidaria mais uma etapa de trabalho em  2012.  Agilizei a impressão da segunda edição da obra “BUGRESIA”,  cujas orelhas são compostas com trechos de comentários dos alunos do professor Ramão Medina, que trabalhou com este livro em suas aulas de literatura, informando que alguns alunos expressaram o desejo para adquirir exemplares  da obra de primeira edição esgotada.
O evento foi realizado na manhã do dia 22 de novembro de 2012, prestigiado com rica mostra artística que incluiu musical, gastronomia, poesia, artes visuais, artes manuais, objetos e costumes da cultura local, com atividade artística pedagógica e relevância ao Geopark Bodoquena-Pantanal.
Alunos do terceiro ano do Ensino médio participaram de forma expressiva no processo organizacional coordenado pelos professores Ramão Medina e Maria do Carmo. Notável a união de alunos e professores que somaram esforços com a Coordenação e Direção da Escola Estadual Geraldo Afonso Garcia Ferreira, para que o evento atingisse todos os seus objetivos, resultando em um modelo exemplar para ser copiado por todos os municípios brasileiros.
O músico Gregório Antunes, marcou presença com seu repertório que incluiu Kikio. O compositor e músico Djalma Alves Corrêa, o “Nico” do Grupo Os Brincalhões, realizou um Show musical apresentando músicas e ritmos regionais, proporcionando muita emoção ao público com a música “Trem do Pantanal“.
A poetisa Querobina Savieto e o poeta Agenor Martinho, foram homenageados neste evento com solenes leituras e declamações de poemas de suas autorias, pelos professores e alunos.
Paulo Vicente, que há mais de 45 anos trabalha com esculturas em “Arenito de Aquidauana” esculpindo centenas de peças entre animais da flora pantaneira e outros temas, também recebeu merecida homenagem. Paulo Vicente consta em revistas e livros e recentemente teve seu nome e trabalho na obra Vozes do artesanato. (ttp://ensaiogeral.com.br/noticias/artesanato/livro_vozes_do_artesanato_registra_arte_de_paulo_vicente).
A cidade de Piraputanga foi homenageada em versos temáticos, artisticamente arranjados sobre papel pardo e colagem com folhas, flores e outros materiais reciclados e reutilizados, expostos em um painel-árvore viva exibida ao lado de uma mostra de objetos pantaneiros, onde apreciei a cuia de Tereré, sela, berrante, e outros apetrechos da cultura local.
Maravilhada apreciei versos ecológicos de minha autoria, bordados à mão sobre pano de algodão, adornados com fuxicos e arrematado com viés de chita, elaborados pela professora Maria do Carmo e seus alunos.
Emocionada ouvi “Moda viajeira”, composição de nossa autoria, cantada em uma versão agradável, pelos jovens Marcelo Reis e Felipe Brites.
Novos talentos formaram uma grande roda e cantaram chamamé, guarânea, sertanejo universitário.
Duas mesas fartas de bebidas quentes e geladas, pratos doces e salgados, foram montadas para servir as delícias da culinária regional, preparadas, também, pela comunidade local.
Confesso que tudo me surpreendeu.  A linguagem coletiva me deliciou plenamente, alimentando o desejo para eternizar a identidade sul-mato-grossense. A solidária luta pela defesa da cultura local foi fortalecida, estabelecendo uma aliança para assegurar firmeza na andança hasteando a bandeira da cultura pantaneira.
Na verdade o Café Lítero Pantaneiro é resultado de uma boa ideia que faz a junção de vários importantes projetos que poderiam acontecer isoladamente. Entendo que o Café Lítero Pantaneiro, criado, organizado, desenvolvido e, já, com duas edições realizadas em Aquidauana, é um Festival da cultura Sul-mato-grossense, e merece apoio para se repetir anualmente, com ampla divulgação e envolvimento de outras sociedades.
Muito obrigada, estou verdadeiramente comovida e enriquecida. Voltei de Aquidauana mais humilde, mais sábia, mais nobre, convencida de que nada sei, porque a convivência foi um aprendizado por meio de exemplos de amor, fidelidade, simplicidade, união e generosidade.
Parabéns Professor Ramão Medina. Parabéns Professora Maria do Carmo. Parabéns Escola Estadual Geraldo Afonso Garcia Ferreira. Parabéns Aquidauana.
Vanda Ferreira