terça-feira, 24 de julho de 2012
EM BONITO/MS 2012
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domingo, 22 de julho de 2012
Prosa e Segredo: A POETICA DE VANDA FERREIRA *
Prosa e Segredo: A POETICA DE VANDA FERREIRA *: Com satisfação, sinto-me honrado em poder comentar a poética de Vanda Ferreira, neste ROTEIRO DA LIBERDADE , Roda de Prosa e Poesia , seu...
sábado, 21 de julho de 2012
A POETICA DE VANDA FERREIRA *
Com satisfação, sinto-me honrado em poder comentar a poética de Vanda Ferreira, neste ROTEIRO DA LIBERDADE, Roda de Prosa e Poesia, seu décimo livro publicado.
Tive o primeiro contato com a poética da autora, no início da década de 1990, quando integrei a banca examinadora do IV Concurso de Crônicas e Poesias - Campo Grande Meu Amor, em que Vanda concorreu com a crônica Mãe Natureza, escolhida entre as composições vencedoras.
Na qualidade de professor de língua e literatura, tive o privilégio de ser indicado revisor final das obras vencedoras daquele Concurso, oportunidade em que percebi a forte inclinação de Vanda Ferreira para os elementos da natureza: sua poética cheira a flores, evoca a Primavera.
As reminiscências da infância da autora povoam toda a sua poética, impregnada do verde, do brilho do sol, dos encantos da lua; tudo influenciando os ventos e definindo as chuvas, saliva celeste que, associada aos rios e córregos, irriga a Natureza e constituem o elemento que purifica e revitaliza a paisagem campestre, constante poética de Roteiro da Liberdade.
No entanto, no conjunto de sua obra, Vanda constrói também uma prosa de cunho filosófico moralizante, a exemplo de Faxinação, em que a autora se vale da figura materna que dá conselhos para os filhos tornarem-se inteiramente limpos e encontrarem a paz social: Limpar o pensamento exige a parceria do coração limpo, dos olhos limpos; da boca limpa. (...) Evitar danos à integridade pessoal, comunitária e global é garantido com sistemático processo de limpeza individual.
Assim, Faxinação, constitui ensinamentos para a arte de viver e conviver, remetendo-nos às literaturas de dois grandes escritores brasileiros: Guimarães Rosa, em cuja obra Grande Sertão: Veredas encontra-se a célebre frase: Viver é muito perigoso, e Drummond de Andrade, que em seu poema: O Homem, As Viagens, ensina-nos que o caminho para a satisfação humana só será alcançado por meio da perene, insuspeitada alegria de con-viver. No mesmo diapasão, Vanda Ferreira sintetiza: Limpeza tem a ver com paz.
Mas não pense o leitor que Vanda Ferreira se resume a escrever poemas de exaltação à Natureza ou de engajamento social moralizante. Não. Ela também se destaca no romance amoroso sensualista, como o fez em O Testamento.
Nessa obra, a autora trata dos encontros e desencontros amorosos, cujas personagens, um homem e uma mulher, representados apenas pelos pronomes Ele e Ela, vão marcando, a cada novo Encontro, sua sofreguidão pelo gozo carnal, que, finalmente, culmina com a plenitude da realização amorosa.
Em O Testamento, percebe-se que Vanda Ferreira pretende construir um romance marcado por um sensualismo velado, valendo-se de palavras e frases perifrásticas. Mas de nada adianta esse recurso, pois, quanto mais tenta dissimular esse sensualismo, mais ainda o poder descritivo da autora deixa transparecer um erotismo poético como se fosse uma erupção vulcânica, como se vê no trecho seguinte extraído de Fantasma (p.69):
Um vulto feminino fez-se sombra e turvou o alto astral que até então reinava, (...). A sedutora silhueta desprendeu veneno. Soprou-o e tingiu o ambiente com a cor do pecado. Ele aspirou o veneno, que se alastrou em sua fragilidade carnal; então, perdeu sua luminosidade.
Quanto ao estilo, Vanda Ferreira imprime velocidade e cadência em sua narrativa, organizando construções enfáticas em torno de três ou quatro palavras ou conjuntos de palavras dispostas em gradação, como se vê em: Resignada, resolveu extrair de si o caco de sol, a banda de estrela, a lasca da lua. (...) Porque tudo é mesmo belo! A experimentação, o degustar, o vivificar...
Agora, com a publicação de Roteiro da Liberdade, Vanda Ferreira enriquece a Literatura sul-mato-grossense e leva ao público leitor uma obra graciosa, cheia do verde-florestal, característica que povoou a alma da autora quando criança.
Adelino Brandão dos Santos
É professor licenciado em Letras, com Pós-graduação em Língua Portuguesa. Bacharel em Ciências Jurídicas (Direito), com Pós-Graduação em Segurança Pública e Cidadania. É Instrutor de Língua Portuguesa Aplicada à Administração Pública do DPRF/MJ.
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quinta-feira, 24 de maio de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
ESPUMAÇÃO
Espumação
Inevitável invasão canta
o mar,
segredos
profundos entranham aberto peito,
espuma
sal.
Livre
inquietude lambe imensidão,
desata
ensolarada manhã.
Na
boca do ouvido zumbe azul,
Orações
de céu verde sagra esperança
preces
na concha carnal.
No
início do aclive branco
esquina
liberdade ungida,
estrelas
dançam,
circula
destino em trilha de sonhos ingênuos.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Lá do pé de Bocaiuva
Lá do pé de Bocaiuva
Um pé de Bocaiuva é um bosque,
uma floresta, um capão santo. Na
dimensão da verde inquietude é canção, desejo intenso, cortejo do vento,
montanha de fé.
Pé de Bocaiuva é nutrido de
sol. Projeta cinema vivo, com exibição de documentários sobre fauna e flora. Espetáculos
de araras, poéticas orquídeas e pactos de lagartas que fogem em trilha de esperança
para enfurnarem avesso, dormirem lapso limite na sustentabilidade do tronco forte
da Bocaiuva.
Bocaiuva é um pouco uva. Polpa
doce, amarelo-surpresa, alegra rusticidade, exercita alicates-bicoides, apraz
línguas oblíquas, sacia olhos do mato.
Um pé de Bocaiuva é recinto de
banquetes ao ar livre.
Vanda Ferreira.
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